DIA NACIONAL DE PREVENÇÃO DE ACIDENTES DO TRABALHO: VIDAS QUE CLAMAM POR PROTEÇÃO, NÃO ESQUECIMENTO

No último domingo, dia 27 de julho, o Brasil comemorou o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho, instituído em 1972.

Naquele tempo, trabalhadores saíam de casa sem saber se voltariam: jornadas exaustivas, máquinas sem segurança, fábricas sem fiscalização.

Nascia uma esperança: que cada empresa, governo ou cidadão entendessem que nenhum salário compensa uma vida perdida.

Evolução desde 1972 – O que mudou? 

Nos últimos 50 anos, conquistamos importantes avanços:

  • Criação e evolução das Normas Regulamentadoras (NRs), com exigência de condições seguras;
  • Ampliação do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs); fiscalização mais presente;
  • Crescimento da cultura preventiva, com formação de Cipas, campanhas de segurança e capacitação de auditores fiscais.

Como consequência, muitos acidentes graves foram evitados, e vidas foram preservadas.

Situação atual – o que preocupa:
  • No país, foram registrados 8,8 milhões de acidentes do trabalho e 32 mil mortes no emprego com carteira assinada, segundo os dados atualizados do Observatório de Saúde e Segurança do Trabalho, entre 2012 e 2024.
  • E mais, o INSS estima que acontece uma notificação de óbito de trabalhador formal a cada 3,5 horas no país. 
  • No ano passado, a projeção é de que tenham acontecido, no mínimo, 742,2 mil notificações de acidentes de trabalho em todo o país. Destes, 2,4 mil ocorrências resultaram em óbito.

O que falta melhorar – e por que ainda dói: 

  1. Proteção universal: trabalhadores informais (motoboys, diaristas, autônomos) continuam sem cobertura adequada e muitas mortes não são registradas oficialmente.
  2. Reconhecimento real das doenças emocionais e mentais: sofrimento psicológico muitas vezes não é percebido como ocupacional, e fica invisível para muitas pessoas que vivem no limite.
  3. Cultura de prevenção de fato, não apenas cumprimento formal das NRs. É preciso promover o diálogo aberto e efetivo entre trabalhadores, Cipas e fiscalização.
  4. Educação desde cedo: falar sobre segurança no trabalho já nas escolas pode empoderar os futuros trabalhadores desde o início.

Maior transparência e fiscalização independente na avaliação de riscos psicossociais para evitar que empresas façam “autoavaliações maquiam o real”.

Um apelo à sociedade – juntas, vidas podem ser salvas: 

O 27 de julho deve ir além de uma data: é um convite à ação coletiva.

Empregadores, empregados, governo e cidadãos devem se unir para que ninguém precise escolher entre sustento e saúde.

Cada número aqui apresentado representa uma pessoa: um pai, uma mãe, um filho ou filha. Cada vida poupada é uma história que continua.

Trabalhar não é arriscar a vida. Trabalhar é dignidade.
Conclusão:

O Brasil avançou: hoje acidentes não são mais tão invisíveis.

Temos leis, fiscalização e tecnologia. Mas ainda estamos longe de proteger todos os trabalhadores.

Esse dia não é só para lembrar o passado, é para agir no presente.

Nem uma morte a mais por descuido, por ignorância ou por falta de respeito.

Só quando todos os trabalhadores estiverem seguros, informados, amparados, seja no setor formal ou informal, é que teremos a verdadeira evolução. E aí sim, poderemos olhar para o futuro com esperança.

Dr. Valdenir Vanderlei
OAB/RJ 141.527

Entre em contato com nosso escritório

Gostou do artigo? Veja mais artigos em nossa galeria

Compartilhe

VOLTA REDONDA

Rua Vereador Luiz da Fonseca Guimarães, 181, Aterrado, Volta Redonda

Tel.: (24) 3342-3797 / (24) 98819-1773

ANGRA DOS REIS

Rua da Paz, 72, Jacuecanga, Angra dos Reis

Tel.: (24) 3361-2826 / (24) 99908-6198

© 2023 Oliveira E Rondelli Advogados Associados. Todos Os Direitos Reservados.

plugins premium WordPress